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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil acordado


Meio a sério, meio de brincadeira, comentei aqui algumas vezes que a inesperada Copa do Pantanal teria sido um estratagema do Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudida no cuiabano forçando-o a assumir sua cidade, seu presente e seu futuro, lutar por ela preparando-a para o Tricentenário aproveitando as oportunidades do mega evento global e de sua centralidade numa das regiões mais produtivas do planeta. Cada vez mais me convenço ser esta impressão mais séria do que pensava, e também mais ampla já que o suposto artifício sacudiu não só Cuiabá, mas todo o Brasil. Esperava que a Copa fosse um elemento perturbador nesse conluio crônico de mal tratos à coisa pública no país, e que puxaria outros assuntos, como a mobilidade urbana, a segurança e a saúde pública, pois os jogos não ocorrem isolados de seus contextos. 


Atiraram no que viram e acertaram o que não viram, algo que jamais queriam acertar. Se soubessem, nunca iriam atrás de Copa alguma. Sem querer, ao sediar a Copa o Brasil colocou-se em destaque na imensa vitrine midiática mundial com compromissos grandiosos com data marcada, assumidos não só consigo mesmo, diante de todo o planeta. O grande benefício imediato da Copa para o Brasil foi mostrar ao mundo e aos próprios brasileiros que o país está encalacrado em um modelo político-administrativo enrolado, perdulário, corrupto e incapaz criado ao longo dos anos a pretexto de combater a corrupção – que campeia mais solta do que nunca - incapaz de realizar qualquer projeto com data marcada. Se a Copa pudesse ser prorrogada, por certo já estaria lá por 2038 - provisoriamente, é claro. Para atender datas fixas, como a Copa ou as tragédias urbanas brasileiras de cada verão, a única saída está em soluções bizarras como o Regime Diferenciado de Contratações, que nada mais é do que uma lei autorizando o descumprimento da lei. Triste mas necessária conclusão. 


Não se trata apenas de obras. Nada anda no país, a não ser a corrupção e a irresponsabilidade pública. Além da burocracia absurda, o Brasil foi fatiado entre grupos vorazes, na maioria das vezes travestidos em grandes e importantes causas. O bem comum é o que menos importa e quando importa é só às vésperas das eleições. O desrespeito ao público atingiu as raias do deboche cada dia mais ultrajante, como as manobras “pizzaiolas” sobre o julgamento dos mensaleiros, a PEC-37 ou o aumento da remuneração que se deram, na mesma legislatura, os vereadores de Cuiabá, muito bem anulado semana passada pela Juíza Maria Erotides. Ou ainda o escárnio logístico com Mato Grosso, o maior produtor de alimentos do Brasil, responsável por um superávit comercial de US$ 13,0 bilhões para o país ano passado. 

Nada anda no país, a não ser contra o interesse público, e o povo enfim saiu às ruas. A tarifa do transporte foi a gota d’água e a Copa ofereceu seu palco midiático internacional onde não há como fugir aos holofotes mundiais. O país carece urgente ser passado inteiro a limpo e tudo é prioritário. A Republica precisa ser reproclamada. O povo em sua maioria tem dado nas ruas demonstrações de que está consciente e preparado para construir essa nova ordem com muita civilidade e respeito ao concidadão e ao bem comum, inclusive repelindo o perigo dos vândalos, caçadores de cadáveres e outras ações oportunistas. O recuo no aumento nas tarifas foi uma primeira vitória. O passe livre pode ser a próxima, uma verdadeira revolução nos conceitos de mobilidade urbana e na qualidade de vida das cidades brasileiras. Logo talvez a tão esperada reforma política, mas que seja verdadeira. E seguir em frente. O Brasil não pode adormecer de novo. 



JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dilma propõe 5 pactos e plebiscito para constituinte da reforma política

Presidente reuniu 27 governadores e 26 prefeitos de capitais em Brasília. Encontro foi motivado pelas reivindicações surgidas nos protestos de rua.


A presidente Dilma Rousseff propôs na tarde desta segunda-feira (24) aos 27 governadores e aos 26 prefeitos de capitais convidados por ela para reunião no Palácio do Planalto a adoção de cinco pactos nacionais (por responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte, e educação).
Em relação ao segundo pacto, a presidente apresentou a proposta de convocação de um plebiscito para que o eleitorado decida sobre a convocação de um processo constituinte específico destinado a fazer a reforma política.
"Quero neste momento propor um debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita. O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está", declarou a presidente.
A reunião com governadores e prefeitos foi convocada como forma de resposta à série de manifestações que levaram milhares às ruas em protesto contra aspectos da conjuntura política, econômica e a qualidade dos serviços públicos.
Economia
O primeiro pacto apresentado pela presidente a governadores e prefeitos foi por responsabilidade fiscal, estabilidade da economia e controle da inflação . "Este é um pacto perene para todos nós", declarou.

Segundo a presidente, o pacto pela preservação dos fundamentos da economia "é uma dimensão especialmente importante no momento atual, quando a prolongada crise econômica mundial ainda castiga as nações"
Reforma política
No capítulo da reforma política, Dilma propôs aprofundar a participação popular por meio de um debate sobre a convocação de um plebiscito.
De acordo com a presidente, o processo constituinte seria específico para estabelecer regras da reforma política. Uma reforma política pode produzir mudanças na forma de escolha de governantes e parlamentares, financiamento de campanhas eleitorais, propaganda na TV e no rádio e outros pontos.
Segundo Dilma, o debate da reforma política "entrou e saiu" várias vezes da pauta nas últimas décadas.
"É necessário que nós [...] tenhamos a iniciativa de romper um impasse. Quero neste momento propor um debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita", disse.
Corrupção
A presidente defendeu um combate "contundente" à corrupção e disse que, para isso, é necessário endurecer a legislação, de modo a que a corrupção dolosa seja classificada como crime hediondo, "com penas severas".
Saúde
Para melhorar os serviços públicos de saúde, Dilma pediu aos governadores e prefeitos para "acelerar" os investimentos já contratados em hospitais, unidades de pronto-atendimento e unidades básicas de saúde e ampliar a adesão de hospitais filantrópicos ao programa do Ministério da Saúde que troca dívidas por mais atendimento.
Ela disse que o governo quer incentivar a ida de médicos para as cidades que mais necessitam de atendimento de saúde, e, quando não houver brasileiros disponíveis, contratar médicos estrangeiros para trabalhar exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
"Gostaria de dizer à classe médica brasileira que não se trata nem de longe de uma medida hostil ou desrespeitosa aos nossos profissionais. Trata-se de uma ação emergencial, localizada, tendo em vista a dificuldade que estamos enfrentando para encontrar médicos em número suficiente ou com disposição para trabalhar nas áreas remotas do país ou nas zonas mais pobres das nossas grandes cidades", afirmou Dilma, para quem o Brasil é um dos países que menos emprega médicos estrangeiros.
A presidente também disse que o programa de ampliação de vagas em cursos de medicina, classificado por ela como "o maior da história", vai resultar na criação de 11.447 novas vagas de graduação e 12.376 novas vagas de residência médica para estudantes brasileiros até 2017.
Transportes
Para o problema do transporte público, apontado com um dos fatores que determinaram a eclosão da onda de manifestações pelo país, Dilma falou em dar um "salto de qualidade".
Ela destacou a desoneração fiscal do setor promovida pelo governo federal, o que, segundo afirmou, permitiu a redução das tarifas de ônibus em 7.23% e a de metrô e dos trens em 13,25%.
"Estamos dispostos agora a ampliar desoneração do PIS-Cofins sobre o óleo diesel dos ônibus e a energia elétrica consumida por metrô e trens. Esse processo pode ser fortalecido pelos estados e municípios com a desoneração dos seus impostos. Tenho certeza que os senhores estarão sensíveis a isso", afirmou, dirigindo-se a governadores e prefeitos.
Ela também anunciou a destinação de mais de R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras de mobilidade urbana.
"Essa decisão é reflexo do pleito pela melhoria do transporte coletivo no país, onde as grandes cidades crescem e onde no passado houve a incorreta opção de não se investir em metrôs", declarou.

Fonte: G1

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mais de 40 mil pessoas vão às ruas - II ATO CUIABÁ CONTRA A CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA!

Parabéns ao povo Cuiabano que lotou as ruas da cidade para manifestar contra a corrupção e a violência. Foram cerca de 40 mil pessoas que, após concentração na Praça Alencastro, em frente à Prefeitura de Cuiabá, seguiram pela Avenida Rubens de Mendonça até a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, no Centro Político e Administrativo. A SMTU e Polícia Militar garantiram a segurança dos manifestantes, interditando o trânsito em todo percurso. O público em sua maioria composto por jovens, também contou com idosos e crianças. Todos em busca de um Brasil melhor.










 
PARABÉNS CUIABÁ!!!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Desculpe o transtorno, estamos mudando o país!

Sandra Cristina Alves

É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas “é assim mesmo” e “rouba, mas faz” 

Meu filho ligou. Disse que participará da manifestação. Orgulho ou medo? Retruquei. Disse que estava em São Paulo e os manifestantes se aproximavam do lugar em que eu estava. Logo a seguir ele me orientou: Cuidado! Foi o início de um diálogo fantástico.
Num primeiro momento ao ver jovens e idosos indo às ruas para levar a público seu inconformismo com a situação política, econômica e social do país, senti orgulho. Já tive a oportunidade de participar de uma grande manifestação, no histórico impeachment de Collor, e não o fiz.

Cenas de violência, desordem, fogo em veículos, bombas de gás, tiros! São tantos os casos em processos e em notícias de jornais que mostraram jovens vítimas de balas perdidas, mortes decorrentes de reações instintivas de policiais, fatalidades. Nó na garganta ao imaginar um filho em meio a um movimento com qualquer destas consequências.
A mídia cobre passo a passo a manifestação. Todo o dia foi marcado por avisos de que a manifestação ocorreria nas capitais do país. A polícia se comprometia a não utilizar balas de borracha e os manifestantes a comportarem-se pacificamente. Muitos momentos de tensão.

Os manifestantes se vestem de branco, cantam e caminham pelas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, entre outras capitais. As primeiras reuniões visavam protestar contra as tarifas de ônibus, mas a sociedade viu que muitos pontos devem ser revistos na nação, saúde, educação, transporte e principalmente os desperdícios de dinheiro público com obras denominadas “elefantes brancos”.

Em Cuiabá, hoje, um dos dias de maior repercussão das manifestações do país, houve a redução na tarifa de ônibus em R$ 0,10 (dez centavos). Isso mesmo, caso não queira crer, a tarifa sairá de R$ 2,95 e irá para R$ 2,85 e não tem nenhum viés político!!!! Quanto custa calar uma manifestação?

Já passam das 22h00min (vinte e duas horas). Os manifestantes pacíficos seguiram para suas casas. Seus pais e avós acompanhavam seus filhos adolescentes na caminhada, alternativas inteligentes: engrossar um movimento social nacional e justo; e por outro lado, verificar a segurança de seus filhos.

Sobraram os desordeiros e marginais. Violência, invasão de lugares públicos, pichações, carros e fogueiras. Polícia em ação. Uma pena! Poderia ser perfeito. Perfeição? A razão está mais para Legião Urbana: “Vamos celebrar a estupidez humana... Venha que o que vem é perfeição”!

Os adolescentes dão as mãos, descem a rampa do Congresso Nacional, é comoção total. Chega de corrupção, show de vaidades, alienação do povo. É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas “é assim mesmo” e “rouba, mas faz”. 

Medo, a primeira coisa a fazer é proibir seu filho de participar de manifestações. Orgulho, ao ver que amadureceu e consegue de forma inteligente protestar pacificamente, retornar para casa no momento certo, afastar-se da violência e proteger seus amigos. Perfeição, se pais e filhos estiverem juntos dizendo ao povo: “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país”!

II ATO CUIABÁ CONTRA A CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA!

Nos últimos dias muitos o povo saiu ás ruas em diversas cidades do país, reivindicando diversos direitos, como redução da tarifa do transporte público, qualidade no transporte, investimentos na saúde e educação, ente outros e também contra o alto investimento na Copa do Mundo. Bilhões de reais estão sendo gastos em reformas e construções de estádios, enquanto a população sofre nos precários hospitais públicos. 

Os Cuiabanos também estão se organizando e sairão ás ruas para um ato pacífico e apartidário,  na quinta-feira, dia 20 de junho. Concentração ás 17h30 na Praça Alencastro.


Vejam informações sobre o II ATO CUIABÁ CONTRA A CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA!

https://www.facebook.com/events/668277276522145/



Outros eventos:


Quarta-feira 19/06


Ato com o tema: defesa do passe livre


http://www.facebook.com/events/684078144942217/?ref=25


Sexta feira 21/06 em Várzea Grande 


Passe livre, Saúde, Educação, Segurança e transporte de qualidade


http://www.facebook.com/events/154555158064437/?ref=25



Sábado 22/06

Contra a PEC 37
 
https://www.facebook.com/events/312775898857330/?fref=ts

A UM ANO DA COPA

José Antonio Lemos dos Santos

A iniciativa do Tribunal de Contas de Mato Grosso de acompanhar dia a dia tecnicamente as obras da Copa do Pantanal publicando a cada mês os resultados vem servindo como uma das referências da população quanto ao progresso na preparação da cidade para a Copa do Pantanal. Em um conjunto de obras com data marcada para inauguração não teria o menor sentido uma avaliação a posteriori do Tribunal, pois em caso de problemas o leite já estaria derramado. Nem teria igual credibilidade o mesmo tipo de trabalho apresentado pelo próprio órgão responsável pela execução das obras, a Secopa, que também foi sábio suspendendo a publicação de seus relatórios, evitando as divergências tão comuns em relatórios paralelos, que só confundiriam a opinião pública. O bom é que numa situação tão especial como a Copa, Cuiabá disponha de um relatório técnico mensal dos mais insuspeitos e confiáveis para o acompanhamento das obras. Nada pelo qual se possa por a mão no fogo, mas que em conjunto com o trabalho da imprensa serve como um bom referencial, cuja existência desconheço em outras sedes da Copa. 

     A leitura e divulgação desses relatórios exigem, entretanto, um cuidado especial, pois se referem a dados de um determinado mês que são analisados e processados no mês seguinte, e divulgados no início do segundo mês subsequente. Existirá sempre um espaço de tempo de no mínimo 1 mês entre o que está no relatório e a realidade vista pelo cidadão na obra, defasagem que pode chegar a 2 meses na véspera da apresentação do relatório seguinte. Agora, por exemplo, em meado de junho, o último relatório está defasado em 1 mês e meio em relação ao tempo real da obra e isso faz muita diferença em obras aceleradas. Esta observação em nada diminui a confiança nos relatórios mensais do TCE, visa apenas a ajudar a esclarecer o cidadão da razão das obras estarem geralmente à frente dos relatórios. 

     Pelos relatórios e o senso comum as obras avançam, ainda que em velocidades diferentes, com algumas poucas ainda nem iniciadas. O importante é que as obras fundamentais para o funcionamento da Copa do Pantanal estejam em condições de conclusão em tempo hábil. Segundo o último relatório referente a abril, a Arena Pantanal encontrava-se com um mês de atraso no cronograma e teve seu ritmo de obras acelerado com mais um turno de trabalho. Como a conclusão está prevista para outubro próximo, pode ser considerada uma obra sem problemas para a Copa e até mesmo para seu primeiro evento com a seleção brasileira na primeira quinzena de janeiro conforme anunciou domingo passado o secretário da Secopa. As obras do aeroporto estão aceleradas e já podem ser vistas em rápida evolução. A trincheira do Zero Km e o viaduto do Cristo Rei também avançam bem ainda que atrasadas. Atenção especial merecem os COTs, o Fan Park, obras de compromisso com a Fifa, e a ligação da Rua Antonio Dorileo com a Beira-Rio, essencial para aliviar o fluxo da Fernando Correia, cuja ponte sobre o Coxipó foi iniciada agora. 

     Importante é que a um ano da Copa as coisas parecem caminhar bem no sentido do grande legado de benfeitorias públicas e privadas para a cidade, ainda que demandando muito trabalho duro em turnos extras na maioria das obras. Parece inclusive que a população começa a acreditar nas estruturas que despontam, apesar dos transtornos, como bem mostrou neste domingo a Caminhada pela Copa organizada pela Secopa com mais de 14 mil pessoas, 11.500 inscritas quando a expectativa inicial era de 5 mil. Não é qualquer lero-lero que reúne o povo assim numa manhã de domingo com o sol cuiabano tinindo de bonito. Agora, temos a reta final de 1 ano exigindo muito mais sacrifícios, cobrança e trabalho. 

José Antonio Lemos dos Santos

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ciclovias em Cuiabá

             O hábito de pedalar cresce vertiginosamente em Cuiabá. Seja por lazer, esporte ou como meio de locomoção, cada vez mais as pessoas estão recorrendo às bicicletas.

Quem pedala, além de curtir a natureza, belas paisagens, o vento no rosto, ganha ainda benefícios para a saúde. A prática do ciclismo fica em segundo lugar entre os esportes considerados mais completos, perdendo apenas para a natação.

Por outro lado, muita gente, seja por da falta de dinheiro ou por mudança de hábito mesmo, está adotando a bicicleta como seu principal meio de transporte. Pedalar não consome combustível, tem baixa manutenção, não polui, é silencioso e muito agradável.

Porém, a falta de ciclovias é um grande empecilho para que o ato de pedalar se transforme em rotina para um número maior ainda de pessoas em Cuiabá. Há registros de cerca de 24,4 km de ciclovias ou ciclofaixas na capital, sendo a ciclovia da Av. Arquimedes Pereira Lima com 3 km, a ciclofaixa da Avenida das Torres com 13,5 km e a ciclofaixa da Av. Tatsumi Koga com 7,9 km.

Creio que 24,4 km é muito pouco para uma capital com mais de 500 mil habitantes, não acham? A situação é mais crítica ainda porque esses 24,4 km não oferecem condições mínimas para a circulação dos ciclistas.

A ciclovia da Av. Arquimedes Pereira Lima, conhecida como Estrada do Moinho, há muito tempo está abandonada pelo poder público. No seu curto percurso o ciclista se depara com carros de vendedores de frutas, veículos expostos para venda no espaço que seria das bicicletas, empresas que fazem da ciclovia estacionamento particular, buracos, acúmulo de terra e muito mato em alguns trechos.

A ciclofaixa da Av. Tatsumi Koga encontra-se em situação parecida, em todo seu trecho há acúmulo de areia, terra e detritos, buracos, sem contar os veículos que a utilizam como estacionamento.

Já a ciclofaixa da Avenida das Torres, a maior de todas, com extensão de 13,5 km, a conservação está um pouco melhor, isso porque é a mais recente. Como a ciclofaixa é compartilhada com pedestres, os ciclistas encontram dificuldade em transitar, mas o maior problema é o uso indevido por parte dos motoristas que teimam em estacionar sobre a mesma. Nos trechos que cortam os bairros Santa Cruz I e II, Recanto dos Pássaros e Jardim Imperial, o desrespeito é constante e a vida dos pedestres e ciclistas está sempre em risco.

Ciclofaixa da Avenida das Torres
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Nem vou citar a “tal” ciclovia da Avenida dos Trabalhadores - que dizem ter existido um dia - pois quem por lá circula não vê nem sinal de ciclovia.

Resta a nós, ciclistas, a esperança de que a promessa de novas ciclovias – Parque do Barbado, novo trecho da Moinho, Estrada da Guarita em Várzea Grande, Rodovia Emanuel Pinheiro e Rodovia Cuiabá/Santo Antônio do Leverger – se concretize.

Ciclovia ideal
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Fica o recado para nossas autoridades. Construam ciclovias e os ciclistas virão.

Sílvio Furtado de Mendonça Filho
Bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão Pública