sexta-feira, 19 de julho de 2013

Motocicleta: a grande vilã dos acidentes de trânsito

Atualmente os acidentes de trânsito constituem um sério problema de saúde pública em virtude de serem acompanhados por elevado índice de mortalidade. Esse tipo de acidente encontra-se entre as causas externas de maior incidência, com elevado percentual de interna­ção, além de altos custos hospitalares, perdas materiais, despesas previdenciárias e grande sofrimento para as víti­mas e seus familiares.

A cada ano, mais de 40 mil pessoas são mortas e cerca de 400 mil são feridas ou tornam-se inválidas em ocorrência de trânsito. No Brasil, os índices de fatalidade na circulação viária constituem uma das principais cau­sas de morte prematura da população economicamente ativa.

A preocupação maior é com quem anda sobre duas rodas. Os acidentes envolvendo motocicletas são crescentes em todas as regiões, em decorrência do aumento da frota e das facilidades no financiamento destes veículos.

Segundo o portal Mobilize Brasil, nos últimos seis anos, o número de motos aumentou 127,8% em Cuiabá. E em nível de Brasil, os números são assustadores, mais de 15 milhões de motocicletas, conforme apontam as estatísticas do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito).

Atrelados ao crescimento desenfreado da frota estão as atitudes incompatíveis dos condutores sob a perspectiva de construção de um trânsito seguro. Trafegar em ziguezague ou em excesso de velocidade, transitar sem roupas apropriadas, sem o capacete de segurança, mudar repentinamente de faixa de trânsito, efetuar manobras arriscadas ou ultrapassar veículos sem os cuidados indispensáveis, contribuem para formação de um conjunto de irregularidades e desafios ao perigo, levando o Brasil a ser classificado com a 2ª maior taxa de mortalidade em acidentes com motos no mundo, segundo o Mapa da Violência 2012, feito pelo Instituto Sangari.

São 7,1 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes. Nos últimos 15 anos a taxa de mortalidade sobre duas rodas aumentou 846,5%. E na nossa Capital, a realidade também não é diferente. Segundo o Pronto-Socorro Municipal, as motocicletas estão em 1º lugar nos atendimentos em razão da violência no trânsito. Apenas no 1º semestre deste ano, já foram registrados 338 acidentes envolvendo motocicletas, conforme dados do CIOSP.

Diante desta triste realidade, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos, sabedora de suas responsabilidades institucionais e conscientes da importância de melhorar a segurança dos motociclistas, em parceria com os órgãos integrantes do Comitê Municipal de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito de Cuiabá, realizará no dia 27 do presente mês, na Praça Cultural do CPA II, o “Circuito Educativo Motociclista Vivo”, com o objetivo de desenvolver uma série de ações de conscientização.

O problema do trânsito não está próximo do fim, mas depende da soma de esforços de cada um de nós. E nosso papel, enquanto, poder público é mobilizar a sociedade, através de ações educativas e culturais como estas, para promover a preservação e valorização da vida. Afinal, educar para o trânsito, é educar para a vida!

Thiago França é Secretário-Adjunto de Trânsito e Transportes Urbanos de Cuiabá

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Bicicletada Cuiabá de Julho (Bicicletada Julina)

Neste dia 26 de julho, última sexta-feira do mês, vista seu traje caipira e venha pedalar pelas ruas de Cuiabá e reivindicar ciclovias já e infraestrutura pata todos os ciclistas. A concentração será a partir das 18h30 na Praça 8 de abril e saída da Bicicletada às 20h00. Haverá também campanha de coleta de assinaturas para o projeto de Lei: http://www.peticaopublica.com.br/peticaoassinar.aspx?pi=LB2011. Já assinou? Nos ajude então na divulgação da petição. Boa bicicletada, Cuiabá!





terça-feira, 16 de julho de 2013

A bicicleta como modo de transporte

Ciclovias

As ciclovias exercem um grande fascínio sobre a população em geral, em especial nos ciclistas leigos. A crença que só a segregação do ciclista em relação ao trânsito proporciona segurança no pedalar é muito enraizada. A realidade apresentada por pesquisas mostra que não é bem assim. Não resta dúvidas que ciclovias têm qualidades, mas não existe milagre e elas também apresentam seus pontos fracos. Talvez o ponto mais forte do conceito ciclovia esteja no imaginário das pessoas.
 
Ciclovia é uma dentre várias opções técnicas de segurança de trânsito para melhoria da vida do ciclista. Ela pode ou não ser a opção mais segura ou apropriada. Em várias situações é mais apropriado ter faixas para ciclistas, sinalização, trânsito partilhado ou mesmo não fazer absolutamente nada. Em cidades de pequeno porte ou no interior de bairros onde o trânsito é de baixa velocidade e tranquilo, ciclovias provavelmente são totalmente desnecessárias.
 
A matemática é simples: a quase totalidade dos acidentes envolvendo ciclistas acontece em cruzamentos, portanto resolvendo estes pontos, o índice de acidentes envolvendo ciclistas praticamente zera. E aí vem o detalhe: não existe ciclovia sem algum tipo de cruzamento.
 
Mas há outros fatores a ponderar antes de optar pela ciclovia. Para criar uma via apropriada é necessário tirar espaço de alguém, seja dos veículos motorizados ou até mesmo dos pedestres, o que faz com que processo de implementação seja realizado no mínimo com alguma espécie de atrito.
 
Ciclovia é sempre a opção mais complicada de ser implementada e a mais cara. Os custos de sua manutenção também devem ser levados em consideração ou então o dinheiro investido será jogado no lixo. 
 
Ciclovias são interessantes?
 
A demanda reprimida de ciclistas potenciais é muito grande e por isso é muito fácil criar um fato político com o anúncio de ciclovias. Infelizmente a mesma população que pede as ciclovias não se pergunta porque elas nunca saem do papel. 
 

A verdade é que a opção pela ciclovia pode simplesmente tornar a questão da bicicleta inviável.
Ciclovias são interessantes? Muito interessantes. Ninguém põe em dúvida o impacto que elas criam na cidade e na população em geral e, este é seu ponto mais forte. A imagem inicial é muito positiva, mas se o projeto for mal pensado e realizado, o resultado final é muito ruim não só para a bicicleta, mas também para outros não-motorizados. 
 
A segurança de ciclistas
 
Fatos e considerações sobre a segurança de ciclistas:
 
1. Todo ciclista tende a manter a inércia da bicicleta, ou seja, a não diminuir muito a velocidade ou parar.
 
2. Praticamente todos os acidentes (95% - UNESCO) envolvendo ciclistas acontecem em cruzamentos.
 
3. Mais da metade das mortes de ciclistas é resultado de colisão frontal.
 
4. Mais de 50% dos acidentes envolvendo bicicletas têm como responsável o próprio ciclista.
 
5. 90% do total dos acidentes de trânsito são causados por falha humana.
 
6. Calcula-se que algo entre 10 a 15% das mortes de ciclistas no Brasil são causadas por falha mecânica da bicicleta.
 
7. O índice de ciclistas que sofrem colisões por trás é muito baixo e, percentualmente, as lesões são menores que em colisões frontais ou laterais.
 
8. Boa parte dos acidentes é causada porque o motorista não conseguiu visualizar o ciclista.
 
9. Não há melhoria de segurança se o ciclista não tiver uma condução segura da bicicleta. O ciclista tem que usar e conduzir a bicicleta como uma bicicleta e não como um veículo motorizado. Educação é prioridade, fundamental para evitar acidentes.
 
10. É condição básica para a segurança do ciclista que o sistema de trânsito esteja integrado com a realidade do veículo bicicleta, assim como para o convívio com o cidadão ciclista e outros não-motorizados.
 
11. A forma técnica mais eficiente para diminuir o alto índice de acidentes envolvendo ciclistas em esquinas, é através de sinalização vertical, horizontal e semafórica, e de pequenas canalizações para bicicletas, quando necessárias.
 
12. Há uma generalizada distorção em nossa sociedade sobre o que deve ser segurança no trânsito para ciclistas. São feitas comparações inocentes com países e cidades onde a bicicleta faz parte do trânsito há muitas décadas, ou até mais de um século. 
 
A segurança de ciclovias
 
Fatos e considerações sobre a segurança de ciclovias:
 
1. A ciclovia evita que o ciclista seja espremido pelo motorista contra o meio-fio ou qualquer outro obstáculo. Evita também que ele sofra colisão por trás. (Mas, vale a pena lembrar que há o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro que obriga qualquer condutor de veículo motorizado a manter 1,5 metro de distância do ciclista em ultrapassagens.)
 
2. Ciclovia exerce forte imagem como incremento de segurança para o ciclista.
 
3. É impossível construir uma ciclovia sem cruzamentos e a maioria dos acidentes envolvendo ciclistas ocorrem em cruzamentos.
 
4. Colisão frontal entre ciclistas é acidente relativamente comum em ciclovias de dupla mão de direção.
 
5. Mesmo em países europeus, há problemas de invasões de veículos motorizados em ciclovias, em especial motocicletas e ciclomotores.
 
6. Por causa da falta de calçadas é comum ver pedestres usando ciclovias como seu espaço, o que gera conflito e acidentes.
 
7. É comum o atropelamento do pedestre em ciclovias. Ciclovias não têm a característica "hostil" de uma rua ou avenida, além do mais a bicicleta é silenciosa e difícil de ser percebida. Já a via para veículos motorizados, tende a ser percebida e respeitada pelo pedestre. Há várias razões para tanto, uma delas é porque os veículos são barulhentos e podem ser ouvidos de longe.
 
8. "Sem ciclovia não há segurança para o ciclista", é discurso comum que não raro acaba inviabilizando a implementação de melhorias mais simples, baratas e eficientes para a segurança e conforto do ciclista. 
 
Sobre a introdução da ciclovia
 
Considerações sobre a introdução da ciclovia
 
 
1. É crucial pensar qualquer obra viária voltada para o ciclista de forma integrada com o meio ambiente, os locais de interesse e outros modos de transporte, motorizados ou não.
 
2. A segurança no trânsito para ciclistas deve estar fundamentada em um sistema cicloviário no qual sejam consideradas todas as opções possíveis e pertinentes às peculiaridades locais - trânsito compartilhado, faixas para ciclistas, ciclovias, ou até simplesmente não fazer nada.
 
3. Dependendo do contexto, ciclovia pode ou não ser a melhor opção. O que importa mesmo é que o ciclista sinta segurança sem perder o prazer de pedalar.
 
4. Ciclovia deve ser alimentada de ciclistas, senão é gasto inútil. O interessante é que o ciclista consiga acessar a ciclovia pedalando por caminhos seguros.
 
5. Toda ciclovia tem cruzamentos, portanto necessita de semáforos. O problema de custo dos semáforos, não é o único ponto crítico. O sistema semafórico integrado à ciclovia só funciona se houver uma correção geral de tempos em todo o sistema semafórico já existente. É uma decisão política de peso.
 
6. Com o ciclista integrado ao tráfego e longe de vias saturadas ou de trânsito rápido, o semáforo vale para todos e os custos gerais caem.
 
7. Mesmo sendo possível a melhor condição de implantação da ciclovia, ainda há o problema que ela segrega o ciclista do trafego de veículos motorizados, o que não raro, significa distanciá-lo do olhar de motoristas e motociclistas, o que acaba se transformando em mais um elemento de risco de acidentes, principalmente em esquinas.
 
8. O perfil irregular do traçado urbano e a topografia de nossas cidades dificultam a implantação de ciclovias.
 
9. Normalmente, onde há saturação de veículos motorizados - vias expressas, avenidas e outras vias preferenciais - é onde seriam os melhores trajetos para ciclistas. O problema técnico de implantar ciclovias nestas vias está na diferença de velocidade entre o ciclista e motoristas nas esquinas, acessos e cruzamentos. Há ainda a questão ambiental de baixa qualidade comum a locais onde há excesso de veículos motorizados.
 
10. Criada uma ciclovia, onde colocar as vagas de estacionamento que desaparecerão com o espaço ganho pela ciclovia?
 
11. Ciclovia de canteiro central em avenidas é questionável em termos de segurança para o ciclista. Por um lado, o faz cruzar uma via de trânsito intenso para alcançar sua segurança, o que constitui um contra-senso. Estas travessias podem ser feitas junto às faixas de pedestres, o que pode criar problemas tanto para pedestres como para o próprio ciclista. Mas, tem a vantagem de permitir fluxo mais rápido para o ciclista pela diminuição de interferências, como acessos de garagens e esquinas. Em compensação há o problema causado pelas convergências à esquerda e ou retorno dos automóveis, além do possível fechamento do fluxo da ciclovia por veículos que não conseguiram cruzar a avenida.
 
12. Numa ciclovia de canteiro central de avenida, o ciclista irá pedalar na pior condição de salubridade, já que está no centro de intensa poluição sonora e do ar.
 
13. Ciclovias são recomendáveis em estradas que estejam em área urbana.
 
14. A experiência internacional mostra que a ciclovia criada gera demanda. Mas a mesma experiência demonstra que a ciclovia por si só não se sustenta. Ela necessita de um sistema de alimentação de ciclistas, seu uso deve ser constantemente incentivado, suas falhas corrigidas, suas qualidades mantidas e periodicamente revistas. Do contrário sua implementação será gasto inútil e dinheiro jogado fora. Ciclovia não faz milagres, é simplesmente uma das opções técnicas disponíveis. 
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Um anarquismo organizado

Os especialistas em rede chamam o fenômeno ocorrido no Brasil nas últimas semanas de swarming. Em inglês, significa enxame.  É uma denominação para aglomerações advindas de uma convocação não centralizada. O primeiro grande swarming da nossa época foi a manifestação em Madrid logo após os atentados em 2004, quando os jovens se reuniram rapidamente através de uma comunicação frenética de SMS.
Os swarmings são fenômenos típicos de uma sociedade hiperconectada, que se auto-organiza em rede e não depende de uma convocação única. Elas simplesmente acontecem, por vezes inexplicavelmente, ora motivadas por algum fator político ou social. São exemplos de swarming a manifestação na Praça Tahir (e outras da primavera Árabe), a manifestação no Zuccottti Park, que resultou no movimento Occupy e os recentes protestos na Turquia.
Mas, segundo Augusto de Franco, criador da escola de redes, é bem provável que as manifestações dos dias 17 e 18 de junho no Brasil tenham sido o maior swarming já presenciado no Planeta. Isso porque, segundo o especialista, é ingenuidade acreditar que os milhões de brasileiros que saíram às ruas nas centenas de cidades durante esses dois dias foram convocados pelo Movimento Passe Livre (MPL).
“O que ocorreu foi a expressão molecular de um incômodo, de uma insatisfação difusa. As pessoas sentiram que há algo muito errado com o sistema, embora não saibam explicar o que é exatamente o sistema”, diz Franco
Manifestações épicas sugerem mudanças profundas. Só a história dirá, mas talvez o que tenhamos presenciado na semana passada seja mais um sintoma de uma nova forma de organização social, algo que já se faz sentir no mundo todo. O próprio MPL é um apontamento nesse sentido: um movimento que se diz apartidário, sem liderança definida e capaz de abalar estruturas organizadas muito bem definidas nas cidades em que atua.
Enquanto, de um lado, temos uma multidão que se reúne com pautas difusas e um clamor comum de mudança, do outro temos uma máquina pública viciada nos seus próprios processos. Não faltaram petições, abaixo assinados e campanhas que apontaram o desejo do brasileiro de se inserir e participar mais dos rumos políticos da nação. Nada disso foi respeitado ou levado em conta. Ou seja, enquanto a sociedade se instrumentaliza para pressionar e participar sem precisar ir às ruas fazer revolução, os donos do poder dão sinais claros de ancestralidade ao se fechar dentro de uma máquina viciada, cara e ineficiente.
A tendência é caminharmos para ser uma comunidade sem fronteiras, sem liderança e sem controle midiático. Uma espécie de anarquismo organizado. Em entrevista ao jornal O Globo, Pierre Levy, filósofo da informação que estuda a interação entre sociedade e internet, diz que não é preciso ter medo desse novo cenário. “O fundamental é mantermos a liberdade de expressão; com ela não é preciso ter essa paranoia com o fascismo”, diz.
Ainda é cedo para saber quais resultados concretos esses swarmings trarão para a sociedade, mas no momento em que o padrão de manifestação ao redor do planeta parece seguir esse mesmo modelo, uma das apostas é que a mudança, quando chegar, vai ser global. Resta saber qual país vai descobrir a receita e capitanear esse movimento oceânico que já começa a transbordar as barragens das instituições tradicionais.
Thiago Foresti 

sábado, 29 de junho de 2013

Ciclovias

Construir CICLOVIAS é dever do poder público e DIREITO do cidadão.











Bicicleta, transporte do FUTURO!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil acordado


Meio a sério, meio de brincadeira, comentei aqui algumas vezes que a inesperada Copa do Pantanal teria sido um estratagema do Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudida no cuiabano forçando-o a assumir sua cidade, seu presente e seu futuro, lutar por ela preparando-a para o Tricentenário aproveitando as oportunidades do mega evento global e de sua centralidade numa das regiões mais produtivas do planeta. Cada vez mais me convenço ser esta impressão mais séria do que pensava, e também mais ampla já que o suposto artifício sacudiu não só Cuiabá, mas todo o Brasil. Esperava que a Copa fosse um elemento perturbador nesse conluio crônico de mal tratos à coisa pública no país, e que puxaria outros assuntos, como a mobilidade urbana, a segurança e a saúde pública, pois os jogos não ocorrem isolados de seus contextos. 


Atiraram no que viram e acertaram o que não viram, algo que jamais queriam acertar. Se soubessem, nunca iriam atrás de Copa alguma. Sem querer, ao sediar a Copa o Brasil colocou-se em destaque na imensa vitrine midiática mundial com compromissos grandiosos com data marcada, assumidos não só consigo mesmo, diante de todo o planeta. O grande benefício imediato da Copa para o Brasil foi mostrar ao mundo e aos próprios brasileiros que o país está encalacrado em um modelo político-administrativo enrolado, perdulário, corrupto e incapaz criado ao longo dos anos a pretexto de combater a corrupção – que campeia mais solta do que nunca - incapaz de realizar qualquer projeto com data marcada. Se a Copa pudesse ser prorrogada, por certo já estaria lá por 2038 - provisoriamente, é claro. Para atender datas fixas, como a Copa ou as tragédias urbanas brasileiras de cada verão, a única saída está em soluções bizarras como o Regime Diferenciado de Contratações, que nada mais é do que uma lei autorizando o descumprimento da lei. Triste mas necessária conclusão. 


Não se trata apenas de obras. Nada anda no país, a não ser a corrupção e a irresponsabilidade pública. Além da burocracia absurda, o Brasil foi fatiado entre grupos vorazes, na maioria das vezes travestidos em grandes e importantes causas. O bem comum é o que menos importa e quando importa é só às vésperas das eleições. O desrespeito ao público atingiu as raias do deboche cada dia mais ultrajante, como as manobras “pizzaiolas” sobre o julgamento dos mensaleiros, a PEC-37 ou o aumento da remuneração que se deram, na mesma legislatura, os vereadores de Cuiabá, muito bem anulado semana passada pela Juíza Maria Erotides. Ou ainda o escárnio logístico com Mato Grosso, o maior produtor de alimentos do Brasil, responsável por um superávit comercial de US$ 13,0 bilhões para o país ano passado. 

Nada anda no país, a não ser contra o interesse público, e o povo enfim saiu às ruas. A tarifa do transporte foi a gota d’água e a Copa ofereceu seu palco midiático internacional onde não há como fugir aos holofotes mundiais. O país carece urgente ser passado inteiro a limpo e tudo é prioritário. A Republica precisa ser reproclamada. O povo em sua maioria tem dado nas ruas demonstrações de que está consciente e preparado para construir essa nova ordem com muita civilidade e respeito ao concidadão e ao bem comum, inclusive repelindo o perigo dos vândalos, caçadores de cadáveres e outras ações oportunistas. O recuo no aumento nas tarifas foi uma primeira vitória. O passe livre pode ser a próxima, uma verdadeira revolução nos conceitos de mobilidade urbana e na qualidade de vida das cidades brasileiras. Logo talvez a tão esperada reforma política, mas que seja verdadeira. E seguir em frente. O Brasil não pode adormecer de novo. 



JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dilma propõe 5 pactos e plebiscito para constituinte da reforma política

Presidente reuniu 27 governadores e 26 prefeitos de capitais em Brasília. Encontro foi motivado pelas reivindicações surgidas nos protestos de rua.


A presidente Dilma Rousseff propôs na tarde desta segunda-feira (24) aos 27 governadores e aos 26 prefeitos de capitais convidados por ela para reunião no Palácio do Planalto a adoção de cinco pactos nacionais (por responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte, e educação).
Em relação ao segundo pacto, a presidente apresentou a proposta de convocação de um plebiscito para que o eleitorado decida sobre a convocação de um processo constituinte específico destinado a fazer a reforma política.
"Quero neste momento propor um debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita. O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está", declarou a presidente.
A reunião com governadores e prefeitos foi convocada como forma de resposta à série de manifestações que levaram milhares às ruas em protesto contra aspectos da conjuntura política, econômica e a qualidade dos serviços públicos.
Economia
O primeiro pacto apresentado pela presidente a governadores e prefeitos foi por responsabilidade fiscal, estabilidade da economia e controle da inflação . "Este é um pacto perene para todos nós", declarou.

Segundo a presidente, o pacto pela preservação dos fundamentos da economia "é uma dimensão especialmente importante no momento atual, quando a prolongada crise econômica mundial ainda castiga as nações"
Reforma política
No capítulo da reforma política, Dilma propôs aprofundar a participação popular por meio de um debate sobre a convocação de um plebiscito.
De acordo com a presidente, o processo constituinte seria específico para estabelecer regras da reforma política. Uma reforma política pode produzir mudanças na forma de escolha de governantes e parlamentares, financiamento de campanhas eleitorais, propaganda na TV e no rádio e outros pontos.
Segundo Dilma, o debate da reforma política "entrou e saiu" várias vezes da pauta nas últimas décadas.
"É necessário que nós [...] tenhamos a iniciativa de romper um impasse. Quero neste momento propor um debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita", disse.
Corrupção
A presidente defendeu um combate "contundente" à corrupção e disse que, para isso, é necessário endurecer a legislação, de modo a que a corrupção dolosa seja classificada como crime hediondo, "com penas severas".
Saúde
Para melhorar os serviços públicos de saúde, Dilma pediu aos governadores e prefeitos para "acelerar" os investimentos já contratados em hospitais, unidades de pronto-atendimento e unidades básicas de saúde e ampliar a adesão de hospitais filantrópicos ao programa do Ministério da Saúde que troca dívidas por mais atendimento.
Ela disse que o governo quer incentivar a ida de médicos para as cidades que mais necessitam de atendimento de saúde, e, quando não houver brasileiros disponíveis, contratar médicos estrangeiros para trabalhar exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
"Gostaria de dizer à classe médica brasileira que não se trata nem de longe de uma medida hostil ou desrespeitosa aos nossos profissionais. Trata-se de uma ação emergencial, localizada, tendo em vista a dificuldade que estamos enfrentando para encontrar médicos em número suficiente ou com disposição para trabalhar nas áreas remotas do país ou nas zonas mais pobres das nossas grandes cidades", afirmou Dilma, para quem o Brasil é um dos países que menos emprega médicos estrangeiros.
A presidente também disse que o programa de ampliação de vagas em cursos de medicina, classificado por ela como "o maior da história", vai resultar na criação de 11.447 novas vagas de graduação e 12.376 novas vagas de residência médica para estudantes brasileiros até 2017.
Transportes
Para o problema do transporte público, apontado com um dos fatores que determinaram a eclosão da onda de manifestações pelo país, Dilma falou em dar um "salto de qualidade".
Ela destacou a desoneração fiscal do setor promovida pelo governo federal, o que, segundo afirmou, permitiu a redução das tarifas de ônibus em 7.23% e a de metrô e dos trens em 13,25%.
"Estamos dispostos agora a ampliar desoneração do PIS-Cofins sobre o óleo diesel dos ônibus e a energia elétrica consumida por metrô e trens. Esse processo pode ser fortalecido pelos estados e municípios com a desoneração dos seus impostos. Tenho certeza que os senhores estarão sensíveis a isso", afirmou, dirigindo-se a governadores e prefeitos.
Ela também anunciou a destinação de mais de R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras de mobilidade urbana.
"Essa decisão é reflexo do pleito pela melhoria do transporte coletivo no país, onde as grandes cidades crescem e onde no passado houve a incorreta opção de não se investir em metrôs", declarou.

Fonte: G1

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mais de 40 mil pessoas vão às ruas - II ATO CUIABÁ CONTRA A CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA!

Parabéns ao povo Cuiabano que lotou as ruas da cidade para manifestar contra a corrupção e a violência. Foram cerca de 40 mil pessoas que, após concentração na Praça Alencastro, em frente à Prefeitura de Cuiabá, seguiram pela Avenida Rubens de Mendonça até a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, no Centro Político e Administrativo. A SMTU e Polícia Militar garantiram a segurança dos manifestantes, interditando o trânsito em todo percurso. O público em sua maioria composto por jovens, também contou com idosos e crianças. Todos em busca de um Brasil melhor.










 
PARABÉNS CUIABÁ!!!

Manifesto

Osiel Araújo

Há mais de uma semana estamos convivendo com manifestações em todo o território nacional em defesa dos direitos constitucionais do cidadão brasileiro. O estopim da vez foi o aumento de 0,20 centavos nas passagens de ônibus que aflorou todos os sentimentos de revolta que a população estava sentindo nesses últimos anos. 

Mas não é somente isso que nos insulta. Estamos sentindo na própria pele, e pagando com nossas vidas os desmandos dos agentes que outrora administram o estado brasileiro. Não encontramos outra saída a não ser 
manifestar.

A corrupção desenfreada “estupra” o Estado Nacional e subtrair todas as formas de distribuição de rendas e benfeitorias sociais que um cidadão necessita para sobreviver. É o mínimo que a população espera de seus governantes. Mas não é isso que acontece. 

Não temos saúde para acolher quaisquer tipos de doenças que surjam. Há tempos o Sistema Único de Saúde está em fase terminal e carente de atendimento. As escolas se tornaram um campo de batalhas e os professores ficaram acuados no exercício da profissão. Nem o teto mínimo lhes deram direito, quiçá escola de qualidade. 

O alto índice de homicídios, latrocínios, estupros e tráfico de entorpecentes colocou a sociedade num paredão de fuzilamento, e em rota de colisão com a criminalidade. Não temos leis que punem os indivíduos que assolam os lares dos cidadãos que pagam caro para custear o Brasil. Não se vê outra notícia, a não ser o tombamento da sociedade como se fossem abatidos como bovinos num frigorífico clandestino. Quem vê não enxerga e quem enxerga não quer ver. 

E na polícia, expressam a forma mais voraz desse autoritarismo disfarçado de democracia. Esquecem os policiais que tempos atrás tentaram manifestar em busca de melhores condições de trabalho e melhorias salariais, mas foram impelidos por esse mesmo sistema com prisões e demissões por indisciplina no serviço público.

Em nosso Estado também não ficamos para trás. A violência é descontrolada em todos os sentidos. A todo o momento somos molestados de todas as maneiras, seja no crime de 
menor potencial ofensivo, seja na mais variada forma de subtração do patrimônio público. 

Este sim é um dos mais graves crimes que nos acometem atualmente. Subtraíram-nos 44 milhões de um programa denominado “Mato Grosso 100% Equipado” e não fizemos nada. Tiraram-nos 20 milhões da conta única do Estado e ficou por isso mesmo. Esquematizaram desvios da ordem de 256 milhões em cartas de créditos e ficamos apenas assistindo. Houve, ainda, irregularidades da ordem de 18 milhões no MT Saúde que causaram a quebra do plano e falta de atendimento dos conveniados. Remédios de alto custo comprados a preço de ouro e jogados na vala da incompetência administrativa. 

Desvios da ordem de 2 milhões na suposta aquisição de Jeeps Land Rovers que sequer chegaram a ser desenhados por aqui. É por isso que há rumores de que os salários podem futuramente atrasar, pois o déficit público amarga a cifra de aproximadamente 1 bilhão de reais. Também não vimos sequer um dos articuladores desses esquemas pagarem pelos crimes que cometeram. Há sim, me esqueci, alguns foram exonerados, outros alocados em outros cargos da mesma esfera estatal. 

Também não sabemos por qual motivo o Ministério Público almeja tanto o direito de investigar. Para que? Com a palavra a PEC 37. E a justiça, qual papel vem desempenhando? Temos o direito de manifestar sim. Temos o direito de exigir saúde de qualidade sim, educação de primeiro mundo e segurança para nos garantir o direito de ir, vir e viver em sociedade.

É direito do Estado nos proporcionar essas ações, principalmente, os princípios básicos garantidos pela Constituição Federal. Aos governantes, quaisquer que sejam eles, garantir esses direitos, caso contrário, manifestaremos não só pela mudança do tabuleiro, mas sim das peças que compõem esse jogo político corrupto e autoritário.

OSIEL ARAÚJO é bacharel em Ciências Econômicas pela UFMT.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Desculpe o transtorno, estamos mudando o país!

Sandra Cristina Alves

É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas “é assim mesmo” e “rouba, mas faz” 

Meu filho ligou. Disse que participará da manifestação. Orgulho ou medo? Retruquei. Disse que estava em São Paulo e os manifestantes se aproximavam do lugar em que eu estava. Logo a seguir ele me orientou: Cuidado! Foi o início de um diálogo fantástico.
Num primeiro momento ao ver jovens e idosos indo às ruas para levar a público seu inconformismo com a situação política, econômica e social do país, senti orgulho. Já tive a oportunidade de participar de uma grande manifestação, no histórico impeachment de Collor, e não o fiz.

Cenas de violência, desordem, fogo em veículos, bombas de gás, tiros! São tantos os casos em processos e em notícias de jornais que mostraram jovens vítimas de balas perdidas, mortes decorrentes de reações instintivas de policiais, fatalidades. Nó na garganta ao imaginar um filho em meio a um movimento com qualquer destas consequências.
A mídia cobre passo a passo a manifestação. Todo o dia foi marcado por avisos de que a manifestação ocorreria nas capitais do país. A polícia se comprometia a não utilizar balas de borracha e os manifestantes a comportarem-se pacificamente. Muitos momentos de tensão.

Os manifestantes se vestem de branco, cantam e caminham pelas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, entre outras capitais. As primeiras reuniões visavam protestar contra as tarifas de ônibus, mas a sociedade viu que muitos pontos devem ser revistos na nação, saúde, educação, transporte e principalmente os desperdícios de dinheiro público com obras denominadas “elefantes brancos”.

Em Cuiabá, hoje, um dos dias de maior repercussão das manifestações do país, houve a redução na tarifa de ônibus em R$ 0,10 (dez centavos). Isso mesmo, caso não queira crer, a tarifa sairá de R$ 2,95 e irá para R$ 2,85 e não tem nenhum viés político!!!! Quanto custa calar uma manifestação?

Já passam das 22h00min (vinte e duas horas). Os manifestantes pacíficos seguiram para suas casas. Seus pais e avós acompanhavam seus filhos adolescentes na caminhada, alternativas inteligentes: engrossar um movimento social nacional e justo; e por outro lado, verificar a segurança de seus filhos.

Sobraram os desordeiros e marginais. Violência, invasão de lugares públicos, pichações, carros e fogueiras. Polícia em ação. Uma pena! Poderia ser perfeito. Perfeição? A razão está mais para Legião Urbana: “Vamos celebrar a estupidez humana... Venha que o que vem é perfeição”!

Os adolescentes dão as mãos, descem a rampa do Congresso Nacional, é comoção total. Chega de corrupção, show de vaidades, alienação do povo. É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas “é assim mesmo” e “rouba, mas faz”. 

Medo, a primeira coisa a fazer é proibir seu filho de participar de manifestações. Orgulho, ao ver que amadureceu e consegue de forma inteligente protestar pacificamente, retornar para casa no momento certo, afastar-se da violência e proteger seus amigos. Perfeição, se pais e filhos estiverem juntos dizendo ao povo: “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país”!